sexta-feira, 8 de março de 2013

Memorial e Esquecimento

Em tempos pretéritos, o Memorial já foi vítima de críticas sobre a sua funcionalidade e estado de conservação. Veja-se a matéria abaixo, a título de exemplo. "Desomenagem ao Memorial Henrique de Melo Spengler Meu querido amigo, Aquela casa não existe mais, o que restam são apenas resquícios... Lembra? Como eram ricamente aproveitados? Os tesouros que remetiam a nossa própria identidade? Tanta arte naqueles cômodos, quanta história recolhida!!! Guardada nos vãos do adobe, nas janelas antigas que se abriam aos sonhos de todos nós... Hoje, afora o desprezo pelo que é material, lastimo mesmo a ausência de idéias, aquelas que criavam projetos, cultuavam a memória consagravam a história e a originalidade de nosso povo... Não me importo com o sumiço daquela cópia do Rugendas, nem com os teus livros devorados inadequadamente, com os quadros que ninguém sabe por onde andam, com a precariedade que consome o teu acervo. Lastimo o abandono da tua causa, porque o teu sangue é só uma mancha apagada e a descendência dos que por ti foram homenageados desconhece o valor da memória. Aquela casa não existe mais, não como era antes... Hoje não há quem possa dizer onde estão as coisas, de onde vieram, para que servem, que importância tem... Guaicuru que fostes, não sabem nem dizer se Guaicuru é coisa, acham tudo qualquer coisa coisificando o teu legado. Eles dizem que é dinheiro, que sem ele nada fazem, outros alegam incompetência, alguns falam em descaso. Mas nós sabemos que tudo se resume a ausência, ausência de identidade com os valores de nossa própria cultura... Não é irônico padecer daquilo contra o que lutamos por toda a nossa vida? Material Complementar Em dezembro de 2007, o Jornal "O Estado de MS" publicou matéria denunciando o descaso com o Memorial Henrique de Melo Spengler, oficialmente denominado Centro de Documentação Histórica da Região Norte do Estado de Mato Grosso do Sul, localizado no centro velho do município de Coxim, região norte de MS. Passados quase 5 meses a situação ainda é a mesma, com o agravante de que o período de chuvas que se sucedeu prejudicou ainda mais o estado precário do acervo. Acervo este que (após 3 anos de funcionamento do CDHR) ainda não está catalogado, não recebe manutenção adequada e não serve ao propósito da pesquisa, uma vez que chegando ao memorial não há informações sobre o que ele realmente contém. Encontrado constantemente fechado, arrombado por mais de 3 vezes, completamente relegado a um 3º plano, o CDHR Henrique de Melo Spengler é apenas mais uma promessa demagógica das autoridades que cuidam do patrimônio, da educação, da História e da Cultura em nosso país, uma vez que, segundo as instituições responsáveis, não há nada de errado com o memorial, somente pequenos problemas que serão resolvidos em breve. Na verdade o problema é muito mais grave do que se faz supor quando afirmam que a falta de verbas é o gargalo. O problema está na completa ausência de conceitos que norteiem os procedimentos a serem adotados para resguardar, proteger e tornar de utilidade pública este importante acervo sul-matogrossense. Uma argumentação mais embasada sobre este descaso (de cunho acadêmico), pode ser encontrada no trabalho científico realizado pela Professora Doutora Ana Paula Squinelo, Doutora pela USP, publicado na internet no seguinte endereço eletrônico: http://www.asocarchi.cl/DOCS/23.PDF Neste link podem ser encontradas também outras informações como a biografia de Henrique Spengler e os fatos que levaram a criação do memorial. O trabalho entitulado "Os órgãos de informação, as comemorações cívicas e o descaso público" ilustra com bastante propriedade o que as aurtoridas escondem e o que o poder público insiste em manter longe da opinião pública a respeito do Memorial Henrique Spengler. Caso haja algum "bug" no endereço eletrônico que suporta o trabalho da Doutora Ana Paula, os interessados podem me pedir uma cópia por e-mail."

Nenhum comentário:

Postar um comentário