Fonte: Idest
"Acadêmicos do curso de História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/campus Coxim e equipe de limpeza da universidade, orientados pelo professor Marcos Amorim iniciaram hoje (03) um processo de revitalização do Memorial Henrique de Melo Spengler. Pelo menos 10 alunos do 1º e 3º ano estiveram no local.
Segundo o orientador do projeto, professor Marcos Amorim, a intenção é reorganizar, iniciar processo de catalogação e preparar o espaço para expor ao público. “O museu precisa estar disponível para a população, mas para isso suas peças precisam estar bem conservadas, por isso estamos reorganizando sem mexer com a estrutura física”, explicou.
O primeiro passo foi dedetizar, lavar o prédio e tirar poeira do local. “Em médio prazo a UFMS quer investir em torno de R$ 300,00 para a revitalização completa, mas em curto prazo vamos procurar apoio dos empresários locais para realizar os pequenos reparos”, contou Amorim.
Para os alunos além de contribuir para a conservação do bem público esta iniciativa serviu para conhecer um pouco mais da cultura do município e saber um pouco sobre quem foi Henrique Spengler, artista plástico e historiador que contribuiu para resgatar a identidade do município de Coxim. “Para mim, que moro em Rio Verde, esta ação é muito importante, pois assim pude conhecer um pouco mais da cultura da cidade vizinha e as influências deixada por Henrique Spengler”, falou a estudante Lilian Beteto, acadêmica do 1º ano do curso de História da UFMS/Coxim."
em 03.09.2009
réquiem a um dileto amigo
ResponderExcluir(Henrique Spengler)
Ao meu dileto companheiro e amigo universal
tu não sabes o quanto aprendi contigo
as boas passagens de minha vida, conheci em sua companhia
tu sabias no intimo o quanto eu te admirava
nas plenárias dos encontros de nossa unidade
encantava-me com tuas palavras e contendas como se fossem por mim verbalizadas
é estranho como este começo de outono me desvanece
o vazio de tua existência me deixa tremulo diante do mundo que está por vir
como um ser estranho pode ceifar uma vida, tão especial como a tua
o que mais posso suportar ainda ?
tuas atitudes e expressões vêm a meu encontro neste momento triste
quantas vezes tínhamos viajado nas entranhas de nossa história
ressurgíamos a cada discussão nas origens de nosso passado guaicuru
nossas vernissagens eram memoráveis, nossos amigos, ah ! esses, sim, não suportarão tua ausência nas contendas que estão por vir
lembro-me de uma ocasião em que denunciaste atitudes arbitrárias, tua coragem e enfrentamento contra as injustiças eram determinantes na tua personalidade.
pessoas como tu não conheceram a privação da liberdade,
a tua intuição era para ti como a bússola que orienta o caminho de muitos em busca do inédito
como "guido boggianni* " tu eras, entre todos os meus amigos, o mais belo, portentoso, hábil, loquaz, perseverante nos teus ideais, pertinente na busca das referências de nossos ancestrais,
de terras distantes e um discípulo dos aventureiros que em nossos rincões aportaram em séculos anteriores .
tenaz, assim eras tu
entusiasta em busca de nossas referências e tradições
desta busca nasceu a unidade guaicuru da qual foste o idealizador e representante maior de nossa luta e identificação cultural
De todos os momentos de minha vida, em minha memória
me recordo de ti quando nos conhecemos
nas plenárias de nosso diretório acadêmico, a história nos unia,
a tua plasticidade reverenciada em nossos nativos kadwéus
me recompensava a frustração de não ter persistido nas artes plásticas
nossos fóruns, os naturalistas, os sertanistas, as monções
a liberdade de nossas escolhas, as nossas aventuras juntos, as nossas viagens de reconhecimento e prospecção dos caminhos dos nossos antepassados
sinto muito te dizer como está difícil suportar a tua perda, não crês que, revendo minhas anotações, lembro-me de nosso ultimo contato, quando argumentei que, mesmo estando longe, em lugares estranhos, recordava-me sempre de ti por não estar partilhando comigo novas experiências, conhecimentos e aventuras,
mas confortava que, mesmo alheio, estavas a me esperar para juntos um dia discutirmos o novo, a ausência de nossas vidas e que cada um seguira o traçado que o destino nos reservava.
oh, dileto companheiro
ébrio e louco pela imensidão do desconhecido, eu te revejo
nas telas e aquarelas que me presenteaste
nos textos e livros que me indicaste
nas andanças que faço por terras longínquas
nos manuscritos de nossos precursores estudiosos de nossa região
e sei que tudo que aprendi sobre o belo, a liberdade, a nossa identidade e a sede de conhecimento devo a ti
sei que nunca retornarás
mas tua obra, teus testemunhos e tua capacidade de agregar
estarão sempre na lembrança dos que te cercavam e te admiravam,
pois teus ideais estarão para sempre impregnados em minha memória e de nossa cultura sul-matogrossense.
Humberto de Alencar
historiógrafo e ex-presidente da unidade guaicuru de cultura
*Guido Boggianni, etnólogo, naturalista e artista plástico italiano que viveu no Paraguay no final do século xix.