sexta-feira, 8 de março de 2013

Memorial Henrique Spengler passa por revitalização em Coxim


Fonte: Idest
"Acadêmicos do curso de História da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul/campus Coxim e equipe de limpeza da universidade, orientados pelo professor Marcos Amorim iniciaram hoje (03) um processo de revitalização do Memorial Henrique de Melo Spengler. Pelo menos 10 alunos do 1º e 3º ano estiveram no local.
Segundo o orientador do projeto, professor Marcos Amorim, a intenção é reorganizar, iniciar processo de catalogação e preparar o espaço para expor ao público. “O museu precisa estar disponível para a população, mas para isso suas peças precisam estar bem conservadas, por isso estamos reorganizando sem mexer com a estrutura física”, explicou.
O primeiro passo foi dedetizar, lavar o prédio e tirar poeira do local. “Em médio prazo a UFMS quer investir em torno de R$ 300,00 para a revitalização completa, mas em curto prazo vamos procurar apoio dos empresários locais para realizar os pequenos reparos”, contou Amorim.
Para os alunos além de contribuir para a conservação do bem público esta iniciativa serviu para conhecer um pouco mais da cultura do município e saber um pouco sobre quem foi Henrique Spengler, artista plástico e historiador que contribuiu para resgatar a identidade do município de Coxim. “Para mim, que moro em Rio Verde, esta ação é muito importante, pois assim pude conhecer um pouco mais da cultura da cidade vizinha e as influências deixada por Henrique Spengler”, falou a estudante Lilian Beteto, acadêmica do 1º ano do curso de História da UFMS/Coxim."
em 03.09.2009

Um comentário:

  1. réquiem a um dileto amigo
    (Henrique Spengler)


    Ao meu dileto companheiro e amigo universal
    tu não sabes o quanto aprendi contigo
    as boas passagens de minha vida, conheci em sua companhia
    tu sabias no intimo o quanto eu te admirava
    nas plenárias dos encontros de nossa unidade
    encantava-me com tuas palavras e contendas como se fossem por mim verbalizadas

    é estranho como este começo de outono me desvanece
    o vazio de tua existência me deixa tremulo diante do mundo que está por vir
    como um ser estranho pode ceifar uma vida, tão especial como a tua
    o que mais posso suportar ainda ?
    tuas atitudes e expressões vêm a meu encontro neste momento triste
    quantas vezes tínhamos viajado nas entranhas de nossa história
    ressurgíamos a cada discussão nas origens de nosso passado guaicuru
    nossas vernissagens eram memoráveis, nossos amigos, ah ! esses, sim, não suportarão tua ausência nas contendas que estão por vir

    lembro-me de uma ocasião em que denunciaste atitudes arbitrárias, tua coragem e enfrentamento contra as injustiças eram determinantes na tua personalidade.
    pessoas como tu não conheceram a privação da liberdade,
    a tua intuição era para ti como a bússola que orienta o caminho de muitos em busca do inédito

    como "guido boggianni* " tu eras, entre todos os meus amigos, o mais belo, portentoso, hábil, loquaz, perseverante nos teus ideais, pertinente na busca das referências de nossos ancestrais,
    de terras distantes e um discípulo dos aventureiros que em nossos rincões aportaram em séculos anteriores .

    tenaz, assim eras tu
    entusiasta em busca de nossas referências e tradições
    desta busca nasceu a unidade guaicuru da qual foste o idealizador e representante maior de nossa luta e identificação cultural

    De todos os momentos de minha vida, em minha memória
    me recordo de ti quando nos conhecemos
    nas plenárias de nosso diretório acadêmico, a história nos unia,
    a tua plasticidade reverenciada em nossos nativos kadwéus
    me recompensava a frustração de não ter persistido nas artes plásticas



    nossos fóruns, os naturalistas, os sertanistas, as monções
    a liberdade de nossas escolhas, as nossas aventuras juntos, as nossas viagens de reconhecimento e prospecção dos caminhos dos nossos antepassados

    sinto muito te dizer como está difícil suportar a tua perda, não crês que, revendo minhas anotações, lembro-me de nosso ultimo contato, quando argumentei que, mesmo estando longe, em lugares estranhos, recordava-me sempre de ti por não estar partilhando comigo novas experiências, conhecimentos e aventuras,
    mas confortava que, mesmo alheio, estavas a me esperar para juntos um dia discutirmos o novo, a ausência de nossas vidas e que cada um seguira o traçado que o destino nos reservava.


    oh, dileto companheiro
    ébrio e louco pela imensidão do desconhecido, eu te revejo
    nas telas e aquarelas que me presenteaste
    nos textos e livros que me indicaste
    nas andanças que faço por terras longínquas
    nos manuscritos de nossos precursores estudiosos de nossa região
    e sei que tudo que aprendi sobre o belo, a liberdade, a nossa identidade e a sede de conhecimento devo a ti

    sei que nunca retornarás
    mas tua obra, teus testemunhos e tua capacidade de agregar
    estarão sempre na lembrança dos que te cercavam e te admiravam,
    pois teus ideais estarão para sempre impregnados em minha memória e de nossa cultura sul-matogrossense.


    Humberto de Alencar
    historiógrafo e ex-presidente da unidade guaicuru de cultura

    *Guido Boggianni, etnólogo, naturalista e artista plástico italiano que viveu no Paraguay no final do século xix.






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